No final do ano passado, eu realizei um sonho muito especial: nadei com golfinhos!! Foi uma experiência mágica e fiquei bastante emocionada com aquela interação (confesso que sim, lágrimas escorreram em minha face). Só que ao mesmo tempo que eu sentia uma alegria enorme por estar pertinho daqueles mamíferos dóceis, eu também sentia um aperto no coração por ver que eles estavam em cativeiro e que bailavam e brincavam para ganhar petiscos…
Louca que sou, comecei a contar quantos golfinhos tinham naquela “piscina”. Depois tentei fazer a conta de quantos outros bichinhos teriam nas piscinas das outras “lojas” daquela rede. Não satisfeita, fiquei imaginando quantos espaços daquele existiam naquele trechinho entre Playa del Carmen, Riviera Maya, Cozumel e Cancun… E fui embora triste, tentando ser otimista e insistindo à minha consciência que ali eles estavam sendo alimentados e bem tratados por um grupo de treinadores que os ama… Só que na verdade, eu preferi não pensar muito para não chegar a nenhum extremo. Se por um lado tocar naqueles golfinhos e sentir a sua força e delicadeza me tocou de uma forma especial, por outro me doeu porque eu estava compactuando com aquele circo. E depois desta experiência me pus a pensar como é que os japoneses de região de Taiji conseguem manter viva a tradição de em todo outono caçar golfinhos (cerca de 17 mil por temporada). Em seguida veio a parte de concluir o que seria pior: o massacre de golfinhos em Taiji ou os cativeiros que estão espalhados por diversos lugares ao redor do mundo para entreter os homens.
Poucos meses depois, eu fiz um curso de mergulho e aprendi um pouco mais a respeitar o mar e os seres que habitam as suas profundezas. Além de ter reforçado o meu espírito de trabalho em equipe, mergulhar me fez relaxar e literalmente entrar em um mundo diferente. Respirar pela boca utilizando um regulador não foi fácil no começo. E apesar de eu ter odiado vestir aquela roupa de neoprene apertadíssima, adorei ter tido a oportunidade de entrar em contato com as maravilhas do fundo do mar. Super recomendo!! Uma terapia e tanto!! E não é que no primeiro mergulho, em Angra dos Reis, apareceram golfinhos ao redor do barco que nos levava?
Foi aí que consegui responder a pergunta que ficou calada desde Cancun. Massacre “de” e cativeiro “para” golfinhos, ambos são péssimos. Bom mesmo é poder observar este bichinhos pulando de felicidade quando os humanos estão se aproximando de seu habitat. Brincando espontaneamente e não para ganhar petiscos. E o reconhecimento deste respeito acalmou meu coração.
E depois de me tornar uma mergulhadora certificada, recebi um email do instrutor com um texto de Jacques Costeau. Achei o texto lindo e resolvi dividi-lo no blog. Não vou fazer do mergulho uma atividade recorrente, um estilo de vida. Mas certamente sempre que eu for viajar e tiver a oportunidade de descer para enxergar um mundo diferente, o farei. O próximo sonho? Mergulhar em Fernando de Noronha!! Já tá logo aí, será em Novembro. =)
Como todos os seres humanos, nascemos no coração da mãe-terra. Temos braços e pernas, respiramos oxigênio que entra em pequenos pulmões. Passamos grande parte da nossa vida na posição vertical que nos dá uma maior autonomia e conforto na terra. Vistos superficialmente somos iguais a todos os seres humanos.
Mas analisando um pouco mais fundo, alguma coisa nos faz diferente. Nascemos com os olhos acostumados ao azul das águas. Temos um corpo que anseia pelo braço do mar e, um pulmão que aceita grandes privações de ar apenas para prolongar a nossa vida no mundo azul.
Somos homens e mulheres de espírito inquieto. Buscamos na nossa vida mais do que foi dado. Passamos por grandes provas para nos aproximar dos peixes. Transformamos nossos pés em grandes nadadeiras, seguramos o calor do nosso corpo com peles falsas e chegamos ate a levar um novo pulmão em nossas costas. E tudo isto para quê ? Para podermos satisfazer uma paixão, um sonho. Porque nós, algum dia, de alguma forma, fomos apresentados a um mundo novo. Um mundo de silêncio, calma, mistério, respeito e amizade. E esta calma e silêncio nos fizeram esquecer da bagunça e agitação do nosso mundo natal. O mistério envolveu nosso coração sedento de aventura.
O respeito que aprendemos a ter pelos verdadeiros habitantes desse mundo. Respeito esse que, só depois de ter sentido a inocência de um peixe, a inteligência de um golfinho, a majestade de uma baleia ou mesmo a força de um tubarão, podemos compreender.
E a amizade. Quando vamos até o fundo do mar, descobrimos que ali jamais poderíamos viver sozinhos. Então levamos mais alguem. E esta pessoa, chamada de dupla, companheiro ou simplesmente amigo, passa a ser importante para nós. Porque, além de poder salvar nossa vida, passa a compartilhar tudo que vimos e sentimos. E em duplas, passamos a ter equipes, e estas passam a ser cada vez maiores e mais unidas. E assim entendemos que somos todos velhos amigos mesmo que não nos conheçamos. E esse elo que nos une é maior que todos os outros que já encontramos.
E isso faz com que nós mais do que amigos, sejamos irmãos. Faz de nós, mergulhadores.

